Seu João, homem trabalhador, bem-sucedido, de boa família.

Seus filhos, estudam nas melhores escolas, têm as melhores roupas e viajam para os melhores lugares.

Sua mulher, tem o que quer na hora que desejar, menos a atenção total do seu marido – claro! Até porque ele precisa manter essa vida incrível.

O seu João tem quase 50 anos, trabalha mais do que qualquer um, mas não vê problema nisso (até porque seu terno, seu celular e seus carros são os mais caros do planeta)

Mas, como ele sempre dizia quando tinha problemas: “se ate nas rosas tem espinhos imagine na vida… nem tudo são flores, quase tudo são espinhos”.

Sim! Nem tudo são flores… O sogrinho estava com catarata e perdeu a visão.

FICOU CEGUETA – gritou João num tom de deboche – TRÁGICO!

A mulher e os filhos de João tentaram de tudo para convencê-lo a ficar com o pobre sogro.

João negou. Obvio né, ia atrapalhar a rotina deles.

João até mesmo disse:

 “podem ficar triste, não tem jeito, o ceguinho vai para o asilo”.

[…]

A vida continuou, a família sempre visitava o pobre coitado. Só que João nunca ia…

… Por que? …

…Exatamente, João é trabalhador, que exemplo de homem.

[…]

PASSADO UM BOM TEMPO… Os filhos deixaram de pedir, e passaram a implorar para o seu pai ir ver o vovô também; estavam muuuito tristes…

O pai disse que não…

Só que dessa vez a história foi diferente (antes –  quando os filhos chamavam e ouviam a recusa de seu pai – eles se submetiam a sua escolha. Agora…), os filhos desabafaram, soltaram a voz, falaram tudo que estava guardado:

“Você não liga para ninguém, só quer saber de trabalhar” 
 “Queríamos um pai que pelo menos faça uma refeição conosco, que nos ajudasse nas lições” 


 (Isso foi um absurdo para João. “como eles falaram isso? Se eles estivessem com dúvidas eu contrataria o melhor professor para ensiná-los!!!!  Se a dúvida era em matemática, sem problema algum, era só avisá-lo que ‘compraria um jeito’ de ressuscitar até Arquimedes!” -Pensou em voz alta de modo irônico, só para irritar seus filhos e mostrar que estavam errados).

“Ficamos tristes quando vemos os pais nos filmes e sabemos que você não é nada parecido”

Foi aí que João perdeu a paciência, e disse:

“Eu dou TV, Livros, Netflix, tudo para vocês!!!!  Não se contentam em só ver besteiras, ainda tem que ficar falando bobagens para mim? São mal-agradecidos, isso sim! Muitos querem metade do que vocês têm, e com certeza, se eu desse, eles não iam ficar resmungando. AO CONTRÁRIO DE VOCÊS QUE SÓ SABEM RECLAMAR! ” – Berrou João, vermelho de ódio pela falta de compreensão e consideração de seus filhos.

O filho, mais novo, revoltado gritou:

“EU TROCARIA TUDO ISSO, E MAIS UM POUCO, POR UM PAI QUE PRESTASSE! ”

Foi o estopim.

 “Ahhhhh é assim? Vocês não enxergam meu esforço, mal conseguem ver. Tudo o que eu faço é dar um futuro para vocês, para que quando ficarem grandes, se tornarem iguais a mim”.

[…]

Essa discussão durou 10 minutos e foi o suficiente para fazer com que ficassem mais de dois dias sem ao menos conversar. Deixando o clima da casa igual à de um velório.

O resultado disso tudo foi positivo… Para as crianças!!! João cedeu e começou a visitar o bendito sogro no asilo.

[…]

Depois que passou a visitar, começou a notar algo intrigante: sempre quando ia ver o pobre coitado, ele estava sorrindo e feliz da vida.

João achou estranho porque, na sua mente, tinha certeza que o pai de sua esposa iria se tornar um velho, além de insuportável, irreconhecível; quando fosse ‘largado’ na casa de repouso. Era pior que isso, o louco do velho estava mais feliz do que nunca.

“Como pode, um idoso, sem um real no bolso, sem conseguir fazer nada sozinho, não podendo enxergar nada na vida, feliz? Ele deve estar usando droga… Tenho que ficar alerta, que ele pode se tornar uma péssima influência para meus filhos” – meditou, João, olhando fixamente para seu sogro.

A conclusão final foi que aquele, já velho, homem estava biruta – maluco;

Mas o que podia fazer, estava fazendo tudo àquilo para que seus filhos parassem de encher o saco.

[…]

Toda semana, pelo menos uma vez por semana, João ia na casa de repouso. Sempre o tratava como o ‘cego doido’.

João, nessas suas visitas, passou a conversar mais com ele. Resultado, cada vez mais atestava que o ceguinho estava maluco. Não conseguia entender por que tanta felicidade. Sempre pensava em mais problemas e não conseguia ver de onde saía esse sentimento.

O pensamento da vez foi: “O maluco não podia viajar, alguém tinha que ajudar ele com as necessidades, a comida daquele lugar era péssima (parecendo de hospital), enfim uma droga de vida”.

[…]

[…]

Voltando do seu trabalho, num dia comum, João passou no médico para retirar o resultado de seus exames de rotina. Foi quando tomou um pequeno susto… Ele descobriu um nódulo próximo ao olho. João, para se acalmar, já se auto afirmou bem.

Ele pensou: “não tenho histórico de câncer na família, minha alimentação é boa, meu emprego (ah meu emprego…) dos sonhos. Foi então se acalmando cada vez mais e chegou à conclusão (por conta própria) que não era nada.

Já que estava maravilhosamente bem, não retornou as consultas marcadas.

Os motivos sempre eram por falta de tempo e de disposição.

[…]

[…]

Quando foi ver, não tinha mais jeito! O nódulo era maligno e se espalhou pelos dois olhos. A única forma de tratamento era por meio da remoção desses órgãos.

João entrou em desespero, viu a vida perfeita escorrer das suas mãos.

“COMO IREI TRABALHAR?” – GRITOU João.

O indispensável profissional, trabalhador, mui premiado e conquistador do seu lugar, João, acabou sendo demitido. Sem, ao menos, receber uma carta de agradecimento pelos anos prestado à empresa. Não esperaram nem a cirurgia ser feita, quando os diretores souberam do ocorrido, e do fim que João levaria, dispensou-o.

Assim como fazemos com um copo descartável depois de tomar um gole de café.

Que triste fim para João. O que ele mais amava foi perdido, e tudo em questão de horas.

[…]

Acabou, então, ficando mais tempo em casa, sem ter o que fazer. Como tinha dinheiro e não queria que os filhos convivessem com ele (‘dessa forma humilhante’), João foi para o asilo (onde seu sogro estava); Achando assim que, se isolando do seu ‘antigo universo’ era a única saída para conseguir suportar tantos problemas.

[…]

[…]

No começo foi muito difícil, João só sabia chorar… Lembrava do passado ‘glorioso’ e chorava. Ele dizia para todo mundo que tentava anima-lo: “ a cada respirada, bocejo, passo, cochilo, que dou, passo a ver menos o sentido da vida”.

O que mais valeu, não foram os esforços dos médicos, psiquiatras, terapeutas e ‘amigos’ (que QUANDO IAM fazer uma visita, era de – no máximo – 10 minutos). O que mais ajudou e valeu para sua recuperação foi o seu, tão louco e incoerente, sogro.

Passou a conversar bastante com ele (O pai de sua esposa), pois era o único que, além dar ouvidos, via seus sentimentos de forma sincera.

[…]

Com o passar do tempo; começou, então, a criar gosto pelas conversas… E com isso a intimidade veio.

Sem contar que passou mais tempo com sua família, criando assim mais diálogo e por consequência mais intimidade.

[…]

[…]

[…]

 E o mais louco dessa história aconteceu agora…

JOÃO PASSOU A ENXERGAR MAIS SUA FAMÍLIA E A ALEGRIA QUE SEU SOGRO TANTO SENTIA.

Começou, cada vez mais, a sentir algo estranho na barriga. Ele achava que o câncer tinha se espalhado, ou que estava com algum tipo estranho de doença ou gases…

PASSOU A ENXERGAR SEUS FILHOS E SUAS NECESSIDADES ESPECÍFICAS.

ENXERGOU QUE SUA ESPOSA ESTAVA QUASE O DEIXANDO….

MEU DEUS, O MAIS LOUCO, PERCEBEU QUE APESAR DE TUDO O QUE TINHA PASSADO… ESTAVA FELIZ.

ELE SE DEU CONTA QUE DEPOIS DE CEGO, PASSOU A ENXERGAR A VIDA; E QUE AQUELAS COISAS ESTRANHAS QUE ESTAVA SENTINDO NA BARRIGA ERA SATISFAÇÃO, AMOR E FELICIDADE.

Foi aí que João parou para meditar… “Estou com quase 60 anos, cego, sem emprego… o que posso fazer …? ”

Você acha que ele perdeu tempo? Que se deixou abater? N Ã O!

Ele mostrou para seus filhos o jeito certo de viver. Mesmo cego João viu, viu o que era felicidade, viu o que era família … E MOSTROU para seus filhos.

João agradece seu sogro, porque não importa se ele é cego, seu sogro abriu os olhos de João e ensinou o que é viver.


E VOCÊ?. . .

 VAI ESPERAR PERDER PARA APRENDER?


OU VAI IR ATRÁS DE ENTENDER?


QUE O MELHOR NÃO VEM DE PAPEI$, STATUS OU CD…


O MELHOR VEM DE VOCÊ.

Não faça como João. Ele teve que perder a visão para ver que, o que realmente importava, nunca saiu do seu campo de visão.

Um comentário em “PARADOXAL

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