Quando se lê essa palavra, é nítido na mente a ostentação de posse. Falou ostentação, já associa a dinheiro, relógios e roupas caras, mansões, etc… Mas existem outros tipos de ostentações que são tão nocivas quanto essa… Quais seriam? E qual cuidado devemos tomar? Vamos ver pelo menos uma delas.

É um complexo bem ‘doido’. Muitos seguem algumas orientações onde devem fazer e/ou ser algo, para conseguir uma tranquilidade/felicidade maior. Exemplificando… Várias organizações falam para o seu seguidor ser humilde. De fato, a humildade é a chave para manter uma vida emocional, espiritual e até fisicamente saudável. Até aí, tudo bem. É elogiável quem se esforça para seguir essa sábia orientação e ser genuinamente humilde. Mas, existem pessoas que, se gabando (ou mostrando interesse SÓ no prêmio), ostentam humildade. Loucura né?

Vamos voltar um pouco no tempo para tentar entender melhor esse papo. Nos primeiros anos – e séculos – depois que uma determinada religião surgiu, foi ensinado (assim como é até os dias de hoje) sobre a ideia de que, quanto mais simples, bondoso, ajudador e humilde for, mais bênçãos ganhariam. Incentivando também a quem tivesse condição de doar, que doasse (para os de menos condições). Dando a chance de, tanto os ricos quanto os pobres, conseguirem seguir e servir a essa determinada religião.

Como assim, dando a chance para conseguirem ser da religião? Preste atenção. Caso o seguidor fosse bem afortunado e quisesse o perdão dos seus pecados (ou ganhar mais bênçãos), deveria ajudar os menos afortunados – no sentido de doar (ser caridoso) com eles. Caso o seguidor fosse pobre, poderia seguir com mais tranquilidade por receber ajuda dos mais favorecidos “economicamente”. Todo mundo poderia ser seguidor desta determinada religião (tanto os ricos quanto os pobres).

Simplificando. A questão maior era: o “rico” (ao realizar tal ação honrável) ganharia bênçãos, perdão de pecados, lugares no céu, etc. Mas, este rico não poderia realizar o ato caridoso pensando nas bênçãos que irá receber. Deveria, ele, ajudar de modo genuíno o seu companheiro de religião.

Até que, aconteceu algo inesperado. As pessoas que iam ‘ajudar’ os mais necessitados, faziam isso só pelas bênçãos finais e não pela ajuda. Logo, a ajuda não era boa de fato. Eram feitas ‘nas coxas’. As pessoas não faziam para ajudar seus colegas menos abastados, mas para serem vistas como pessoas boas, ajudadoras e humildes. No intuito de receber bênçãos/prêmios cada vez maiores. (Parece até um investimento, não é mesmo? No decorrer da história essa prática irá aumentar).

Inacreditável, não acha? A religião procurou formas para ajudar a todos, e os adeptos agindo dessa maneira. Enquanto os líderes religiosos diziam: “Quem for um caridoso, benfeitor, humilde e ajudar os que necessitam… terá seu espacinho garantido… (num determinado lugar de perfeição e eternidade)”. As pessoas já vinham atropelando, sem nem saber como ajudar genuinamente, só davam o dinheiro para a religião e já se sentiam crentes que fizeram os seus papéis. Ostentavam bênçãos espirituais, purezas de pecados e felicidade por estarem garantidas num determinado lugar (faziam tudo isso e juravam de pé junto que eram humildes). Enquanto voltavam a pecar, errar e descumprir a própria ‘lei’ da religião que seguiam. Entrando assim, num ciclo vicioso de erros e doações para ter perdão divino (ou, para aqueles que “não pecavam” – e não tinham motivos para pagar pelos pecados – cada vez que tinham mais dinheiro, aumentava a quantidade de doação para ter mais garantido o espaço no céu).

As pessoas faziam tais ações pensando no que, de fato? Nas futuras bênçãos. Isso parece ser certo? Fazer algo bom hoje, contra a sua vontade e sem entender ao certo o que está fazendo, só porque alguém disse que amanhã você será recompensado? O que está acontecendo com as ajudas? Até elas estão sendo comercializadas?

Acha que acabou aí? Kkkkkkkkkkk O problema só está começando.

Atualmente acontece a mesma coisa. Pessoas que ostentam até humildade, mostrando (não é nem essa palavra, a melhor é: jogando na cara) serem pessoas doadoras, abnegadas, humildes. Essas pessoas desesperadamente jogam na cara o que “são”. Mostram as ‘conquistas humildes’ e falando que ‘é assim que tem que ser’. Dizendo serem os mais humildes. E que os outros são/ou merecem ser mais admirados, paparicados e focados do que elas. Mas, na primeira chance REAL de mostrar humildade… são reprovados. Que coisa!

Analisando esta situação. Não estariam elas se achando, por mostrar que não querem se achar? Ou, não estariam elas, querendo ser as mais humildes e com isso, deixando de ser? A partir do momento que você quer, desesperadamente, ser considerado o último só para ter o primeiro lugar em determinado lugar abençoado – estaria sendo você humilde? Ou é só uma forma diferente de se colocar na frente dos outros para conseguir algo?

Resumindo: ela está sendo humilde de fato? Creio que esteja claro para você assim como está para mim.

Humildade consiste em ter menos, e/ou aparecer menos, e sempre fazer o seu máximo. Ajudar alguém e ser ajudado, sem segundas, terceiras, quartas intenções. Fazer por saber que é o que tem que ser feito – na intenção de ajudar o próximo, não porque vai se beneficiar com isso. Não fazer porque o fulano falou e, com isso, ficar bem na roda (e, por receber muitos elogios, passar a fazer isso, só pelos “presentes”).

O benefício que vem da pessoa que é humilde, vem por ela SER DE FATO humilde; vem do contentamento da ação (ou modo de viver) humilde. Do contrário não aguenta muito tempo (essa ‘humildade de fachada’).

As pessoas que necessitam de aplausos para continuar fazendo algo (que deveria ser feito sem recompensa – por ser algo obrigatório do ser humano) não conseguem se manter, caso não tenha constantemente essas recompensas. A motivação, por trás da ação ‘boa’ é errada; e isso não sustenta. Por que não? Porque é difícil, por analisar o mundo em que vivemos, a imperfeição e o orgulho puxando o ser humano a ser tudo, menos humilde. Se quiserem mesmo serem humildes, de modo genuíno, não podem esperar recompensas de terceiros. A força e a vontade têm que vir de dentro da pessoa. Se não, é só mais uma futilidade qualquer da vida.

Eai, acha difícil ser humilde?

Acha que existe, de fato, essa ostentação de humildade?

E os benefícios da humildade? Estão em sermos paparicados e aplaudidos ou em nos sentirmos bem por sermos humildes?

Um comentário em “OSTENTAÇÃO

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