COMPLEXO DE CINDERELA

Antes de falar sobre esse livro, é interessante saber o que significa “complexo de cinderela”. Em resumo, é uma falsa necessidade criada pela sociedade a muito tempo, em que a mulher precisa do homem. “Simples”. Mas, muitos podem questionar: Como assim precisa do homem? Eu sou mulher e faço minhas coisas sem nenhum macho no meu pé. Olha, que bom que você é assim; isso foi graças a muita luta no passado e no presente.

A mulher “precisa” do homem no sentido de, se ela não procurar um parceiro e se casar, ela “não terá uma realização na vida”. A vida dela “não fará nenhum sentido”. Simplesmente porque o homem é considerado a peça fundamental da vida da mulher – logo: “sem ele = sem sucesso”.  Agora, em contrapartida, se ela encontrar o “príncipe encantado”, sem dúvida, tudo que ela for realizar será “magicamente perfeito e bem-sucedida”.

Pode surgir uma dúvida: Elas serão “bem-sucedidas” em quais aspectos da vida? Desde nas atividades diárias, até nas mais complexas (sendo elas seculares, emocionais e até básicas – ou seja, todas). Por conta disso, as mulheres planejam suas vidas em torno dos homens (ou esperando por eles); por exemplo: “quando eu me casar”, “quando eu tiver um marido”, “depois que eu der um filho para meu esposo”, e assim vai.

Vale lembrar que não era sempre dessa maneira. Existiam muitos casos em que as jovens adolescentes não queriam se casar, não queriam cursar uma faculdade que ‘mulheres cursavam’ (só pelo fato de que iriam se casar e que teriam filhos) e viver esse formato de vida (tentando ir na contramão desse complexo horrível). Mas, de tantos os pais falarem, elas acabavam cedendo. Consequência disso, vieram a existir inúmeros casos de depressão.

Ideia do livro…

Um livro que busca abrir a mente em relação ao tratamento da sociedade as mulheres. A maneira como é apresentado um problema para elas e como é apresentada a solução. Essas, e outras questões são abordadas nessa obra da Colette Dowling.

A autora deixou claro, a cada folha passada, a dificuldade que existia (e que continua existindo) para a mulher no que tange tomar uma decisão de impacto na vida (algumas das questões abordadas são: “ser do jeito que sou ou do jeito que mandam?”; “cursar uma faculdade ou não”; “escolher o curso que eu quero ou o curso que ‘é de mulher’”; “casar ou não casar”; “separar ou não separar”). Essa ‘confusão’ na hora da decisão não é gratuita e nem biologicamente imposta a elas. Mas, psicológica e sutilmente jogado, amassado e constantemente fixado na mente e no coração de cada mulher.

Entrando de cara no livro…

Um dos pontos interessantes, que foi abordado pela autora, é que esse ‘tratamento’ não está relacionado tão somente aos homens contra as mulheres, mas sim das próprias mulheres (sim, contra elas mesmas). Lógico que, conforme C. Dowling argumentou, em sua grande parte não é feito de modo proposital. Mas sim, de modo implícito e indireto – por estar arraigado no dia a dia daquela época. Logo, elas não percebiam que a ação estava sendo danosa a elas mesmas.

“São ensinadas a ser não assertivas e dependentes. O fato de que o sinal verde foi aberto para elas, “permitindo-lhes” ser independentes, só veio confundi-las”. (Página 37)

“Sei que agora queria ser salva, transportada em asas mágicas para uma nova vida, na qual eu seria confiante, criativa, potente e, acima de tudo estaria segura. O insípido e infindável cotidiano de jovem solteira trabalhando em Nova York, sem um homem nem perspectivas, estava diminuindo minha autoestima cada dia que passava. Eu não estava conscientemente “procurando um homem”. Por outro lado, não estava tentando elaborar uma nova vida. Não fazia ideia de como poderia preencher o futuro que surgia à minha frente, imenso, exigente e potencialmente obliterador”. (Página 61)

De modo prático e de fácil entendimento (e pelo que eu consegui identificar) é feito uma separação na vida das mulheres de dois modos (por favor, não pense que é simples. A questão é mais complexa do que parece). O primeiro é antes de casar-se com o salvador (ou príncipe) e o segundo é depois de casada (e já adianto que depois de casada é o grande problema). Vamos analisar cada um…

Primeiro ‘planejamento’:  A vida das mulheres antes do príncipe encantado.

Tudo gira em torno de se preparar para encontrar um homem e se casar. Depois disso, é idealizado uma paz, tranquilidade e fluidez na vida (que, logicamente, não existe). As mães e os pais vivem aconselhando e moldando suas filhas a arrumar um homem que vai protegê-la do mundo e resolver todas as questões dela para sempre. Criando uma expectativa – de felicidade – nela, onde só alcançará se estiver casada.

Não para por aí. As jovens moças são massacradas com ideias do tipo: “você tem que estar à disposição do seu marido quando casar, viu?”, “o seu marido vai trabalhar e você vai ficar arrumando tudo para que, quando ele chegar em casa, não tenha problemas, ok?”, e assim por diante. Em resumo, a mulher só terá a tão sonhada vida tranquila, caso se dedique integralmente as ordens, desejos e gostos do marido. Caso contrário, será um casamento fadado ao erro. E a culpa? Com certeza da mulher.

Falando em trabalho, é interessante notar que, segundo a obra da autora, a mulher não se casava imaginado traçar uma grande carreira profissional. Mas sim, era sempre motivada a ser o suporte do seu futuro marido. Para que ele tenha sucesso no trabalho. Caso a mulher tivesse um pensamento, e demonstrasse interesse, de querer se dedicar a ter um emprego e crescer secularmente (ou seja, de ter uma carreira profissional de sucesso), essa ideia logo era substituída. Pois, quando expressava esse desejo a terceiros, essas pessoas desmotivavam e desconstruíam os sonhos da futura esposa. Simplificando… trabalhar, carreira de emprego, e coisas do tipo… (até segunda ordem) não!

Segundo ‘planejamento’: A vida das mulheres depois de casadas.

Tudo depende do tempo que é analisado. Nos primeiros anos é sempre uma maravilha (por mais que tenham os problemas da adaptação), tudo é muito novo e atrativo para os dois (esposa e marido). Mas, se analisarmos a questão de um ponto de vista macro, o casamento começa muito bom e vai ficando cada vez pior ao passar do tempo.

Inacreditável, não é? Tanto ‘investimento’ para que fosse tudo perfeito, e com o passar do tempo vai só piorando. Qual o motivo? O descontentamento e a desilusão (de ambos os lados), a falta de interesse (na grande e esmagadora maioria das vezes do homem) no casamento, constantes desentendimentos e falta de consideração pelo cônjuge, entre outras coisas… E isso só tende a aumentar. Ao ver que tudo está ‘saindo do controle’ ou que – mesmo não saindo do controle – não era como imaginado; a mulher, muitas vezes, se culpa. Sofrendo com diversos problemas emocionais e psicológicos, achando que o problema é ela (já que o marido é o ‘príncipe’, conforme dito por todo mundo). Sem contar que o marido não ajuda. Pois cada problema que surge, ele joga a culpa na esposa. As consequências…? Leia para saber hehehe.

A questão do trabalho (depois de casados). Será que mudou alguma coisa? É interessante notar que a mulher, ao se casar com o “salvador da pátria”, não realizava um trabalho profissional remunerado, conforme já citado. Ela só fazia (e quando fazia) por necessidade, buscando complementar a renda – nunca pensando numa carreira. Ela podia até ter o desejo e a motivação de trabalhar, mas não tinha apoio para desenvolver uma carreira profissional. Independente de qual seja a formação a regra era simples – casou-se, parou e cuidou da família (para que o marido cresça profissionalmente). O trabalho da mulher era arrumar a casa, cuidar do filho, manter tudo adequado para o seu marido. Mas, muitos podem perguntar: “E se acontecesse algo na vida da mulher e ela tiver que trabalhar, mas trabalhar meeeesmo? (Como se ela não trabalhasse né? rsss).Para responder essa pergunta, seguem as palavras da autora do livro…

“Precisar trabalhar é um sinal de que, de algum modo, falhamos como mulheres”. (Página 49)

Declarações finais

Esses são alguns pontos interessantes que eu encontrei no livro Complexo de Cinderela, da autora Colette Dowling. Não vou falar mais sobre ele, se não vai acabar com a graça e a magia. Só sei que, gostaria que você comprasse e experimentasse essas sensações. Sim, para poder ‘sentir na pele’ a dor da mulher. Com isso você não vai entender ela completamente, mas vai ser o suficiente para não ser um babaca e estragar mais ainda a vida dela. Entender a dor e a vida da outra pessoa é muito importante!

Caso não queira comprar, então eu espero que esse texto simples tenha tocado você. Feito você ir atrás de mais informações sobre o assunto. Espero que tenha compreendido o que foi passado e que passe para outras pessoas. É necessário rever algumas atitudes? Faça isso sem peso. Acha que tem algum amigo que necessitar ler esse textinho? Mande para ele. Não é feio rever algo errado que fazemos, feio é viver fazendo aquilo que não queremos rever e, por consequência, viver no erro.

@SENTILENDO – Henrique de Araújo Jorge

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